
Nessa época do ano, milhões de olhos ficam vidrados na telinha, ansiosos pra conhecer os participantes da casa mais espiada do Brasil. No entanto, alguém sabe quem foi o Big Brother (O Grande Irmão), como surgiu e qual é o perigo que esse tipo de programa representa para a nossa liberdade individual?
O Big Brother é um personagem do livro 1984, escrito por George Orwell em 1948. O Big Brother é presidente da Oceania, da qual faz parte, dentre outros países, a Inglaterra. O grande problema é que ninguém sabe se o Big Brother existe, já que não faz aparições públicas. É somente visto em cartazes e em raras aparições televisivas. Mas creia, não saber se o presidente existe ou não, definitivamente, é o menor problema que o povo enfrenta.
Esse país vive um grande regime de exceção. Desse modo, todas as liberdades, inclusive as de expressão, não existem. A imprensa, por sua vez, é manipulada para que para que sirva ao governo. O exemplo clássico é o personagem principal do livro, Winston Smith. Ele trabalha no Ministério da Verdade, retificando “erros” da mídia impressa. Em uma notícia publicada em um jornal, há alguns dias, havia sido noticiado que cada habitante receberia 30 gramas de chocolate por mês, ao invés dos 15 habituais. No entanto, por motivos que ninguém sabia, pois somente o Estado sabia de tudo, o montante de chocolate dado seria somente de 20 gramas por pessoa. Cabia a Winston encontrar o registro da “notícia errada”, refaze-la, descartar a notícia original e divulgar a segunda como se fosse a única verdadeira. E as pessoas acreditavam, esquecendo da primeira notícia. Será que você nunca testemunhou isso no mundo real? Uma amiga desse poeta mostrou um fato parecido com esse no mundo real e fiquei horrorizado. Mas isso não é o pior de tudo.

Até mesmo um regime de exceção tem que contar com o apoio de seu povo. Os filhos, desde pequenos, eram educados para denunciar seus pais caso cometessem algum ato contra o sistema, contra o Partido. Essa forma de agir é muito comum nos países totalitários. Além disso, pessoas ligadas ao Partido, como o próprio Winston, só poderiam ter contato com pessoas do sexo oposto para tratar de assuntos relativos ao trabalho. Qualquer demonstração de amor era proibida e o sexo servia apenas para procriar. O pior é que não podiam burlar essas leis, pois são constantemente vigiados, do despertar ao adormecer, onde quer que estivessem. Será que isso lembra algo?
No livro, o dispositivo que fazia essa vigilância era chamado de teletela e era uma espécie de televisão. Todas as casas possuíam. Servia tanto para assistir como para ser assistida. Podia-se dialogar com a teletela, mas nunca se sabia quem estava do outro lado. Era ela quem determinava a hora da pessoa levantar, por exemplo, qual seria sua rotina de exercícios. Caso esse cronograma de exercícios não fosse respeitado, a pessoa podia ser morta. Essas teletelas ficavam espalhadas em todos os lugares da cidade, não apenas nas casas. Assim, as pessoas não podiam ser ser elas mesmas, pois podiam ser condenadas por isso. Apesar que, no livro, de tanto ter a realidade alterada pelo Partido, quase todos não se lembravam do passado, nem de como agir naturalmente. Para elas, as teletelas não importavam mais.

Não tenho a intenção de julgar ninguém, mas o que me choca é a existência de quem goste de assistir a pessoas confinadas numa casa. Não percebem que no futuro, caso nada seja feito, nossa própria casa será invadida por um monte de câmeras, para o Estado nos controlar, e ainda prestigiam esse tipo de programa? Não poderemos ser nós mesmos nem em nossas casas. Nunca estaremos sós. E isso já está acontecendo. Estamos cercados por câmeras em todos os lugares. Seja caminhando ou dirigindo, saboreando um hambúrguer, fazendo compras, indo viajar! O Estado vendeu a imagem de que a polícia é ineficaz e, já que não quer investir em segurança, as pessoas se armam com câmeras. Contudo, como não se faz justiça apenas com imagens, logo vai haver um aumento dos grupos de extermínio. E não posso esquecer dos satélites que rodeiam minha cabeça e mostram para o Bando de Bandidos, através de imagens, quais são os locais mais fáceis de invadir minha casa. E viva o Progresso!!!